O problema
Todo mundo que usa open source já passou por isso: você encontra a biblioteca perfeita, mas o último commit foi há dois anos. Aí você abre a lista de forks e encontra dezenas de cópias — algumas com correções, outras abandonadas também — e nenhuma forma de saber qual delas vale a pena.
O modelo de fork que usamos hoje tem uma hierarquia embutida: existe o repositório "pai", que tem a autoridade, o nome e as estrelas, e existem os forks, que são sempre "filhos". Quando o mantenedor original para (por cansaço, falta de tempo, burnout), o projeto morre junto, mesmo que a comunidade continue trabalhando nele espalhada por aí.
A ideia: soberania horizontal
O GitVerso propõe outra forma de enxergar um projeto:
Um projeto não é um repositório. É uma ideia, com várias versões soberanas mantidas por pessoas diferentes, lado a lado, na mesma página.
Na prática:
- O projeto vira um "Manifesto" — um documento que descreve a ideia (nome, descrição, licença, origem) e lista todas as versões conhecidas dele.
- Cada versão é uma "Vibe" — mantida por alguém, com um propósito declarado: "foco em performance", "estável para empresas", "interface experimental", "mínimo de dependências". Cada Vibe diz para quem ela é, o que muda em relação às outras e a partir de qual commit ela se separou.
- O código continua onde está — GitHub, GitLab ou servidor próprio. O GitVerso não guarda código, só os metadados. Isso mantém o custo baixíssimo.
- A comunidade decide — quem usa endossa (vota) nas Vibes, e as mais confiáveis sobem na página do projeto.
- Abandono é detectado automaticamente — se a versão original fica um ano sem commit, ou acumula correções importantes sem revisão, ela ganha a etiqueta Legacy, e a Vibe mais endossada passa a ser a recomendada. Sem precisar pedir permissão a ninguém.
Como funcionaria no dia a dia
Pelo site, você abriria gitverso.com.br/nome-do-projeto e veria a ideia, todas as Vibes, o status de cada uma, as issues de todas elas juntas e artigos da comunidade sobre o projeto.
Pelo terminal, uma CLI chamada gitv:
gitv login
gitv clone <projeto> # clona e já adiciona todas as Vibes como remotes
gitv list # mostra as versões disponíveis
gitv publish <projeto> # registra a SUA versão como uma nova Vibe
O que chegou a existir
Construí um protótipo em março de 2026 e ele ficou no ar em gitverso.com.br:
- servidor em Go (API REST, PostgreSQL, workers que sincronizam com o GitHub e detectam projetos "zumbis");
- login com Google, GitHub e GitLab;
- frontend em Vue.js com o painel do projeto, as Vibes, endossos, votos, estrelas e artigos;
- a CLI
gitvcom login, clone, list e publish; - documentação do conceito: Manifesto, guia de Vibes e política de soberania.
Ele nunca chegou a ter usuários reais, e na reorganização da CROM de setembro de 2026 saiu do ar. Os domínios gitverso.com.br, gitverso.com, gitverse.com.br, gitverse.online e gitverse.cloud agora apontam para este artigo.
O que falta para virar real
- Gente. Um projeto assim só faz sentido com mantenedores e usuários registrando e endossando Vibes.
- Projetos-piloto: começar com alguns projetos brasileiros com forks relevantes.
- Moderação: bloquear Vibes com código malicioso e manter o ambiente saudável.
- Integração com o GitHub mais profunda, para importar forks automaticamente.
Quer participar?
Se a ideia faz sentido para você — como mantenedor, usuário, desenvolvedor que quer ajudar a construir, ou alguém que tem um projeto abandonado que gostaria de ver continuado — manifeste interesse pelos canais da CROM. Se houver gente suficiente, o GitVerso volta, e dessa vez construído junto.
Este post faz parte da reorganização da CROM de setembro de 2026, em que concentrei tudo no crom.run e tirei do ar os projetos que eu não conseguia manter.