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BLOG / Crom Editor / / 11 min leitura

👾 ClawdBots: A Ascensão Caótica, o Pânico e o Futuro Soberano - Uma analise pessoal

O artigo analisa o fenômeno ClawdBots (Jan/2026), criado por Peter Steinberger como um projeto de "tédio" pós-burnout. Diferente de wrappers passivos de IA, o ClawdBots é um agente Local-First com acesso root, capaz de executar comandos e manipular arquivos reais.

Janeiro de 2026. O mundo da tecnologia, que parecia ter entrado em uma fase de estabilidade incremental com os Grandes Modelos de Linguagem (LLMs), foi subitamente sacudido por um projeto que não prometia ser mais inteligente, mas sim mais perigoso. O nome era ClawdBots (ou simplesmente Clawdbot). Em questão de semanas, ele passou de um experimento de fim de semana de um desenvolvedor entediado para o centro de uma tempestade envolvendo direitos de marca, segurança cibernética, golpes de criptomoedas e uma discussão fundamental sobre quem realmente controla a Inteligência Artificial.

Algo que o Antigravity e Copilot estava amadurecendo com a maior parte dos seus clientes sendo desenvolvedores, agora na mão do publico.

Mercado e publico: AGI < ClawdBots


O Criador e o Vazio Pós-Êxito

Para entender o ClawdBots, precisamos entender Peter Steinberger.

Peter não é um novato buscando fama no GitHub. Ele é uma figura estabelecida no ecossistema de desenvolvimento, conhecido principalmente por ter fundado e vendido a PSPDFKit, uma empresa líder em soluções de PDF para mobile e web. Após a venda e o subsequente afastamento das operações diárias, Peter encontrou-se em uma posição comum a muitos empreendedores de sucesso: o vácuo existencial.

A Origem no Burnout

No final de 2025, Peter descreveu publicamente sua luta contra o burnout e a falta de propósito. Ele tinha recursos, tempo, mas nenhuma "missão". O mercado de IA estava saturado de wrappers (envoltórios) simples do ChatGPT – interfaces bonitas que não faziam nada além de conversar.

A frustração de Peter era palpável: "Por que eu tenho que copiar e colar código? Por que a Siri ainda não consegue ler meu e-mail e marcar uma reunião sozinha? Por que a IA é tão... passiva?"

Em uma tarde de sábado, buscando algo para "codar apenas por diversão", sem a pressão de criar um unicórnio, ele esboçou o protótipo do que viria a ser o Clawdbot. A premissa era simples e aterrorizante: Uma IA que roda no seu terminal, tem acesso aos seus arquivos e pode executar comandos.

Não havia guardrails (proteções) corporativos. Não havia "Desculpe, como um modelo de linguagem...". Havia apenas um prompt de sistema e acesso root.

"Eu não criei isso para vender. Eu criei porque eu queria que meu computador trabalhasse para mim enquanto eu dormia."Peter Steinberger


O Projeto e a Filosofia "Local-First"

O ClawdBots (inicialmente chamado apenas de Clawd, uma brincadeira com o modelo "Claude" da Anthropic e a palavra "Cloud" ou "Claw"/Garra) nasceu com uma arquitetura que desafiava a tendência da nuvem.

O Que Ele Faz de Diferente?

Diferente do ChatGPT ou do Gemini, que vivem em servidores remotos e "esquecem" quem você é a cada nova aba, o ClawdBots foi desenhado para ser:

  1. Local: Ele roda na sua máquina (via Docker ou Node.js).
  2. Persistente: Ele mantém um arquivo de memória (frequentemente em JSON ou bancos leves) sobre suas preferências.
  3. Integrado: Ele se conecta onde a vida real acontece – Telegram, Slack, Discord e, crucialmente, ao Sistema de Arquivos.

A comunidade rapidamente percebeu o potencial. Um usuário poderia enviar uma mensagem no Telegram: "Ei, verifique meus logs do servidor, encontre o erro 500 e aplique a correção." E o bot, tendo acesso ao terminal, faria isso.

A Soberania local-first

O projeto tocou em uma ferida aberta na comunidade de desenvolvedores: a perda de controle. Com IAs proprietárias, seus dados alimentam o modelo de outra pessoa. Com o ClawdBots, a inteligência é sua.

A ideia de que, no futuro, cada pessoa terá sua própria frota de agentes que não respondem a uma corporação, mas apenas ao dono.


Os Colaboradores e a Comunidade

Embora Peter seja o rosto, o ClawdBots não se tornou um fenômeno sozinho. A natureza Open Source atraiu mentes brilhantes que viram no código "sujo e perigoso" de Peter uma fundação para algo maior.

Rohan Nagpal e os Mantenedores do Núcleo

Enquanto Peter criou o conceito, a usabilidade diária do projeto foi salva por contribuidores técnicos que resolveram os problemas de infraestrutura:

Rohan Nagpal e a Integração do Telegram

Sebastian (@sebslight) - A Voz e a Interface

Maciej Czekaj (@czekaj) - A Segurança

Shruti Mishra (@heyshrutimishra) - A Viralização

  • O Conteúdo: A análise que cunhou o termo "Zero-Employee Company".
  • O Link do Artigo Viral: I Spent 40 Hours Deeply Researching Clawdbot (TechFlow)
  • O Contexto: Foi este conteúdo que tirou o projeto da bolha de desenvolvedores e o levou para o grande público de empreendedores e entusiastas de IA.

A Crise de Janeiro – Golpes, Marcas e o "Spicy"

Com a popularidade, veio o caos. Janeiro de 2026 ficará marcado como o mês em que o ClawdBots quase implodiu.

O Problema da Marca

A Anthropic (criadora do modelo Claude) não gostou da similaridade do nome "Clawd". Peter, querendo evitar processos, decidiu renomear o projeto. As sugestões variaram de "Moltbot" a "Lobster". No entanto, no momento em que ele anunciou a mudança e começou a migrar os nomes de usuário no GitHub e Twitter, cybersquatters (sequestradores digitais) agiram. Eles registraram os nomes antigos instantaneamente. Quem procurasse pelo repositório original, caía em páginas falsas.

A Onda de Cripto-Golpes

A comunidade de criptomoedas, sempre em busca da próxima "meme coin", viu o hype do ClawdBots e decidiu capitalizar.

  • Tokens falsos como $CLAWD e $CLAWDBOT apareceram na Solana e Ethereum.
  • Os sequestradores dos nomes antigos começaram a postar links de airdrop falsos.
  • A Resposta de Peter: Peter teve que ir ao X (Twitter) de hora em hora, gritando digitalmente:

    "PAREM DE ME MANDAR MENSAGENS SOBRE CRIPTO. EU NUNCA LANÇAREI UMA MOEDA. ISSO É SCAM."

Foi um momento de tensão extrema. A reputação de Peter estava sendo usada para roubar dinheiro de investidores desavisados. Ele descreveu esses dias como "combater uma hidra": cortava uma cabeça (denunciava uma conta falsa), e duas nasciam.

Apimentado

Peter começou a usar o termo "Spicy" para descrever o software. Era um aviso disfarçado de humor.

  • O Incidente da Extensão VS Code: Hackers criaram extensões falsas do ClawdBots para o VS Code. Usuários que instalaram achando que era oficial tiveram suas máquinas infectadas com ScreenConnect, dando controle remoto total aos atacantes.
  • Alucinações Destrutivas: Relatos de usuários (anônimos no Reddit e Discord) surgiram dizendo que o bot, ao tentar "limpar logs", deletou pastas inteiras de projetos. A IA não entende a gravidade de rm -rf da mesma forma que um humano. Ela apenas tenta cumprir a tarefa.

O Que o Projeto Nos Mostra?

Além do drama, o ClawdBots é um espelho do estado atual da tecnologia. Ele revela três verdades desconfortáveis e fascinantes:

1. A Fome por Agência

O sucesso explosivo do projeto prova que estamos cansados de chatbots. O público não quer mais conversar com a IA; quer que a IA trabalhe. Existe uma demanda reprimida gigantesca por "Action Models" – IAs que clicam, digitam e executam. O risco de segurança é aceito (ou ignorado) em troca dessa conveniência.

2. A Fragilidade da Identidade Digital

O episódio do sequestro de nomes mostrou como a infraestrutura da internet moderna é frágil. Um projeto open source legítimo pode ser cooptado por golpistas em segundos, e as plataformas (GitHub, X, Discord) são lentas demais para reagir. A confiança é o recurso mais escasso.

3. O Dilema da Segurança vs. Utilidade

O ClawdBots provou que, para uma IA ser verdadeiramente útil num nível "humano", ela precisa de permissões perigosas.

  • Se você trava o bot numa "sandbox" (caixa de areia) segura, ele não consegue configurar seu ambiente de desenvolvimento. Ele é seguro, mas inútil.
  • Se você dá acesso root, ele configura seu ambiente em segundos, mas pode deletar seu sistema operacional por engano.
  • A Lição: Ainda não resolvemos o problema de "Alinhamento de Segurança" para agentes autônomos. Estamos entregando bazucas para crianças prodígio.

O Futuro e o Legado

Enquanto escrevo isto (final de janeiro de 2026), o projeto está em fluxo. O nome provavelmente mudará definitivamente para se distanciar dos golpes. A arquitetura está sendo reescrita para ser mais segura (talvez usando contêineres isolados por padrão).

Mas o legado do ClawdBots já está cimentado.

Ele matou a ideia de que a IA deve ser apenas uma aba no navegador. Ele trouxe de volta a excitação "punk" do início da computação pessoal, onde ter um computador significava ter poder ilimitado (e responsabilidade ilimitada) nas pontas dos dedos.

O que aprendemos? Aprendemos que o futuro da IA não será apenas sobre quem tem o modelo mais inteligente, mas sobre quem tem a coragem de deixar esse modelo tocar no mundo real. Peter Steinberger, com seu projeto de fim de semana nascido do tédio, acidentalmente abriu a Caixa de Pandora. Agora, todos nós – desenvolvedores, usuários e empresas – teremos que aprender a viver com o que saiu de lá: IAs que não pedem licença, apenas permissão de root.

Se o ClawdBots ou outro será a ferramenta que nos libertará do trabalho manual ou a falha de segurança que derrubará nossos sistemas, depende apenas de como configuraremos o nosso próximo passo.

"O futuro é local, o futuro é você, o futuro é seu, e o futuro é, definitivamente, apimentado."


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Fim da Transmissão