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🦁Quimera, 🐐DNAI, 🐍Synapse, 🐉MoA — e outras IAs brasileiras de arquiteturas únicas que poderiam existir - Por que irei parar de treinar LLMs brasileiras (por enquanto)

🦁Quimera, 🐐DNAI, 🐍Synapse, 🐉MoA — e outras IAs brasileiras de arquiteturas únicas que poderiam existir - Por que irei parar de treinar LLMs brasileiras (por enquanto) — Capa do Artigo

Um desabafo e o resumo dos meus estudos sobre treinamento de IA no Brasil

"Eu só queria construir com as minhas próprias mãos — nem que fosse só brincando."

CROM-Quimera — dragão, leão e cabra: a mistura de arquiteturas


Antes de tudo: quem escreve isso

Eu sou só um pesquisador/programador que gosta de estudar o que me cativa. Quem já acompanha meus artigos aqui no TabNews sabe que eu tento sempre trazer algo minimamente apresentável — e essa palavra, apresentável, é meio que a minha cruz. Sempre tive o péssimo hábito de travar meus projetos por achar que não estão bons o suficiente nem para mostrar. Muita coisa boa morreu na minha cabeça por causa disso.

Tenho 24 anos. Comecei na programação web há uns 6 anos, mas antes disso já mexia com servidores de Minecraft e jogos na Unity. Se você quiser me conhecer melhor, escrevi um relato mais pessoal aqui: apenas-um-relato-mrj.

Resumindo o essencial: há alguns meses eu consegui treinar um LLM de verdade — com sucesso superficial, é verdade, e usando uma base estrangeira como ponto de partida. Mas meu objetivo nunca foi só "ter um modelo". Foi aprender e desenvolver com as minhas mãos, mesmo que seja só brincando com IA e vibecode.

Eu tenho um caderno mental (e alguns arquivos soltos) de ideias aleatórias que anoto e deixo lá. Quando travo, eu puxo uma delas. Este artigo é o resumo dessas ideias — algumas viraram código que rodou, outras são conceitos que poderiam existir se eu tivesse tempo e dinheiro. Vou explicar cada uma, com fluxograma e uma tabela comparativa no final.


O fio condutor: e se cada IA tivesse uma arquitetura própria?

A moda hoje é escalar o mesmo transformer até o infinito. Eu fico fascinado com a pergunta oposta: e se a arquitetura em si fosse diferente? E se, em vez de mais do mesmo, a gente misturasse tipos diferentes de cérebro? É esse fio que costura todos os projetos abaixo.


1. 🧠 Think-Vetor — a micro-LLM que "pensa" no espaço latente e não erra conta

O que é: um micro-LLM de 0.5B de parâmetros que faz o raciocínio dentro do espaço latente (nos embeddings ocultos), em vez de "pensar em voz alta" cuspindo tokens de Chain-of-Thought. O loop recorrente tem parada dinâmica (PonderNet — para quando já "pensou o suficiente") e é estabilizado por um bloco de energia de Hopfield acoplado à dinâmica de Langevin (relaxa as ativações em atratores estáveis).

A sacada (TV-DSL): para matemática ser 100% infalível, o modelo não tenta adivinhar os dígitos. Ele escreve uma instrução simbólica dentro do pensamento — tipo [TV-DSL: multiply(432, 78)] — um coprocessador determinístico (AST do Python) intercepta, executa o cálculo exato, e reinjeta o resultado (-> [RESULT: 33696]) de volta no espaço cognitivo. A LLM vira a "CPU orquestradora", não a calculadora.

  Prompt: "Quanto é 432 × 78?"
        │
        ▼
  ┌─────────────────────────────────────┐
  │  LLM 0.5B (Qwen2.5 + LoRA)          │
  │  raciocínio LATENTE (loop recorrente)│
  │  PonderNet: para quando convergiu    │
  │  Hopfield + Langevin: estabiliza     │
  └───────────────┬─────────────────────┘
                  │ detecta intenção matemática
                  ▼
        escreve  [TV-DSL: multiply(432, 78)]
                  │
                  ▼
  ┌─────────────────────────────────────┐
  │  Coprocessador AST (Python) EXATO   │ → [RESULT: 33696]
  └───────────────┬─────────────────────┘
                  │ reinjeta no espaço latente
                  ▼
        Resposta final: "33.696" (sem alucinação)

Por que isso importa: um modelo de 0.5B bateu 83–100% no GSM8K (o benchmark-padrão de matemática) — superando modelos comerciais de até 4× o tamanho (Qwen 1.5B, Gemma-2 2B ficam em ~68%). Não é mágica: é desacoplamento — delegar o cálculo pesado a um executor exato em vez de estimá-lo probabilisticamente. Tem Space público no Hugging Face (CromIA/think-vetor-chat).


2. 🧬 CROM-IA-V1-DNA — a semente

O que é: o meu primeiro modelo público de verdade (CromIA/CROM-IA-V1-DNA) — o "DNA", a gênese de onde tudo cresceu. A linha de pesquisa por trás dele (crom-pesquisa-ia00) mira modelos cognitivos híbridos e leves: neuro-simbólicos, micro-escala (0.5B–1.5B), pensados para rodar rápido em computador comum, combinando flexibilidade neural com exatidão determinística (herdando o TV-DSL, memória vetorial e experimentos com atenção linear tipo Mamba).

  ┌──────────────────────────────────────────────┐
  │            CROM-IA-V1-DNA (a semente)         │
  │  Híbrido neuro-simbólico, micro-escala, local │
  │                                                │
  │   Neural (flexível)  +  Determinístico (exato) │
  │   Memória vetorial   +  Atenção linear (Mamba) │
  └──────────────────────────────────────────────┘
        │
        └──► deu origem ao Think-Vetor e à família Quimera

Por que existe: era eu testando se dava para ter "raciocínio de gente grande" numa máquina pequena. O nome DNA é isso — vem da ideia de em vez de gerar tokens de palavras, e gerasse token de um dna que seria uma frase maior, algo como: output -> #@1dbrsail -> descriptografa o token -> O brasil é um País Soberano.


3. 🐉 CROM-Quimera (MoA) — Mistura de Arquiteturas, não de experts iguais

O que é: um LLM de 1.1B com a ideia que mais me anima: MoA (Mixture of Architectures). No MoE clássico (Mixtral, etc.), todos os "experts" são MLPs idênticas. No MoA, cada expert é uma arquitetura diferente, especializada num tipo de processamento:

  • Backbone compartilhado (390M) — entende a linguagem geral.
  • Expert 0 🏃 Rápido — MLP de 2 camadas, para tokens triviais.
  • Expert 1 🧠 Profundo — Transformer de 8 camadas, para raciocínio.
  • Expert 2 💻 Código — Transformer de 4 camadas, para sintaxe.
  • Expert 3 ⚡ Difusão — um denoiser que gera blocos de tokens (inspirado em difusão), não autorregressivo.
  • Router — escolhe os 2 melhores experts por token (top-2), antes de eles rodarem.
  Token → ┌──────────────────────────┐
          │  Backbone (390M, comum)  │
          └───────────┬──────────────┘
                      ▼
               ┌────────────┐
               │   ROUTER   │  decide ANTES: top-2 de 4
               └─────┬──────┘
        ┌───────┬────┴────┬────────┐
        ▼       ▼         ▼        ▼
     🏃 Fast  🧠 Deep   💻 Code  ⚡ Difusão
     (MLP 2L) (Trf 8L) (Trf 4L) (denoiser)   ← arquiteturas DIFERENTES
        └───────┴────┬────┴────────┘
                     ▼
        combinação ponderada (softmax) → LM Head → próximo token

A saga real (o porquê deste artigo ter começado): esse foi o projeto onde eu mais apanhei. Várias versões (v2.4.0 a v2.4.4) colapsavam — o router degenerava e o modelo cuspia lixo numérico tipo 381,6* 8: 31441012)^3. Depois de muita auditoria, achamos 3 bugs-raiz:

  1. O Expert 3 carregava o arquivo errado → ficava com pesos aleatórios em toda rodada.
  2. Uma "gambiarra" processava cada token isolado (seq_len=1), matando a atenção dos experts.
  3. A classificação de domínio colapsava (a palavra "você" rotulava 100% dos dados no mesmo balde).

Corrigidos os três, rodei o SFT completo (8000 passos, ~$1) e a bateria de testes saiu de 0% (sempre colapsava) para 78%: o router finalmente distribui entre os 4 experts sem colapsar, e a memória multi-turno funciona (ele lembra o nome do usuário depois de uma distração). O que ainda falha (prosa embolada, identidade) não é a arquitetura — é a base subtreinada (foi pré-treinada com só ~94M tokens únicos, ~85× menos do que o ideal). Ou seja: a arquitetura está provada; falta dado.


4. 🐲 Quimera-Hydra — todas as cabeças geram, o árbitro decide depois

O que é: a evolução natural da crítica ao MoA. No Quimera, o Router "adivinha" quais experts são bons antes de vê-los trabalhar — e se ele erra, o modelo gera lixo mesmo tendo a resposta certa em outro expert. A Hydra (a serpente de várias cabeças) inverte isso: todos os 4 experts processam cada token, e um árbitro escolhe/combina os melhores DEPOIS de ver o que cada um produziu.

  Token → ┌──────────────────────────┐
          │        Backbone          │
          └───────────┬──────────────┘
        ┌───────┬─────┴─────┬────────┐   TODOS geram (sem router filtrar)
        ▼       ▼           ▼        ▼
     🏃 Fast  🧠 Deep     💻 Code  ⚡ Difusão
        └───────┴─────┬─────┴────────┘
                      ▼
             ┌──────────────────┐
             │  ÁRBITRO HYDRA   │  decide DEPOIS de ver as saídas reais
             │ (ensemble/voto/  │
             │  confiança)      │
             └────────┬─────────┘
                      ▼
                 token final

Estratégias de arbitragem que projetei: Weighted Ensemble (combina os logits com pesos aprendidos), Confidence-Gated (o expert mais confiante ganha o token) e Contrastive (experts que concordam ganham peso; outliers são penalizados). Custa mais compute (+19% na inferência, todos os experts rodam), mas é muito mais robusto — nunca colapsa, porque sempre vê todas as opções. O melhor: a primeira fase dá para prototipar sem re-treino, reusando os pesos que já tenho.


5. ⚡ Quimera-Synapse — plasticidade: um modelo que aprende enquanto conversa

O que é: talvez a ideia mais ambiciosa. LLMs em produção têm pesos estáticos — se você corrige o modelo ("não use essa biblioteca, use aquela"), ele esquece assim que a conversa reseta. A Synapse propõe aprendizado em tempo de execução:

  • Backbone congelado (read-only na VRAM).
  • Micro-LoRAs dinâmicos por sessão — adaptadores minúsculos (rank 4–8, poucos MB) que rodam em paralelo.
  • Juiz Oculto (gating) — uma camada linear que ativa os adaptadores certos direto nos embeddings, sem decodificar texto.
  • Sandbox RL de loop fechado — para tarefas verificáveis (código, formatação), a saída é executada e validada por um juiz determinístico (um compilador, um teste unitário). Se falha, um sinal de erro faz um backprop curtíssimo só no LoRA (99% mais barato que fine-tuning).
  Backbone CONGELADO (read-only)
        │
        ├──► Juiz Oculto (gating) ──► ativa micro-LoRAs da sessão (ΔW = B·A)
        │
        ▼
     Saída gerada
        │
        ▼
  ┌──────────────────────────────┐
  │  SANDBOX: executa + valida   │  (compilador / testes / regex)
  └───────────┬──────────────────┘
     OK ✅    │    ERRO ❌
      │       │       │
      ▼       │       ▼
  consolida   │   backprop CURTO só no LoRA  ──► (volta e melhora)
  (merge ou   │
   patch      │
   S-LoRA)    ▼

Por que me empolga: é a diferença entre um modelo que é ensinado uma vez e um que aprende com o uso, sem esquecimento catastrófico e sem re-treinar tudo. Ainda é conceito — mas o mini-circuito em PyTorch já converge no sandbox.


📊 Tabela final — as arquiteturas lado a lado

ProjetoEscalaIdeia centralQuem decide / diferencialEstado
Think-Vetor0.5BRaciocínio latente + delega matemática a um executor AST exato (neuro-simbólico)O modelo planeja, o coprocessador calcula✅ Público · 83–100% GSM8K
CROM-IA-V1-DNAmicroA semente: híbrido neuro-simbólico leve, local-firstBase genética das outras✅ Público (HF)
CROM-Quimera (MoA)1.1BMistura de arquiteturas heterogêneas (não experts iguais)Router decide ANTES (top-2 de 4)✅ SFT feito · 78% · router não colapsa
Quimera-Hydra1.1BTodos os experts geram; ensemble informadoÁrbitro decide DEPOIS de ver as saídas💡 Conceito (prototipável sem re-treino)
Quimera-Synapse~800M+Plasticidade: aprende em tempo real via micro-LoRAs + sandbox RLGating por sessão + validador determinístico💡 Conceito (mini-circuito converge)

O padrão que me move: MoA orquestrando múltiplas arquiteturas diferentes, em vez do MoE tradicional de especialistas iguais. Cada projeto é uma variação disso — ou um filho da ideia original.


O desabafo (a parte difícil de escrever)

Agora a verdade sem maquiagem.

Neste último mês, eu gastei uns $50–60(sim dolares) do meu próprio bolso nessas pesquisas. Para muita gente é pouco. Para mim já é mais do que muito. Eu me animei, passei do meu limite, e preciso ser honesto comigo mesmo sobre isso.

Eu uso a Vast.ai (e às vezes GPUs gratuitas, que me limitam por tempo). E o processo é exaustivo: você espera 8, 10 horas por um resultado, e ele falha no meio e você refaz do zero. Ou termina, e você descobre um erro de funcionamento interno bobo lá no fim. Erros que a IA até me ajuda a explicar na hora — mas na hora de aplicar a correção, ela se embola, e eu tenho que ficar lendo e editando manualmente, tentando (às vezes em vão) consertar. Foi exatamente isso que aconteceu no Quimera esta semana: instância com upload lento travando o treino, dois processos causando OOM, checkpoint perdido, refazer... e no fim deu certo, mas cada tropeço desses custa dinheiro real e horas da minha vida.

Estou pensando em dar um tempo disso. Não porque parei de gostar — eu amo isso, às vezes passo 100% do meu tempo, 24/7, mergulhado. Mas eu preciso de uma base financeira antes de me afundar de vez nesse oceano. Enquanto isso, faz mais sentido eu ficar no que é sustentável: agentes e especialização de LLMs que já existem (fine-tuning), em vez de treinar arquiteturas novas do zero — que é onde mora meu coração, mas também onde mora o custo.

Pensei em procurar faculdade ou grupos de pesquisa. Mas sinto que, se eu não puder dar 100% 24/7, não vou conseguir acompanhar — e, ironicamente, é porque eu gosto que eu às vezes dou 100%. Só que esse não é o único caminho que eu gostaria de seguir. Se for só isso, eu vou ter que ir trabalhar "lá fora" — o que é bom por um lado, mas por enquanto foge do que eu queria. E, sinceramente, acho que não tenho tanto tempo assim.

A maioria dos meus projetos está privado. E olha, eu não sei criar patente. Só deixaria privado mesmo para não perder a chance de um dia tornar tudo público e open-source — porque tenho medo de alguém patentear e privar algo que eu criei primeiro para todos e me tirar essa possibilidade de trabalhar nisso. Não é ganância; é medo de perder o direito de compartilhar.

Isto aqui é só um desabafo. Eu até pediria ajuda — mas acho que não teria a atenção necessária, nem o dinheiro necessário para trazer algo realmente útil. Porque a real é essa: para pesquisa de arquitetura séria, é extremamente necessário comprar placas de vídeo — e hoje uma placa decente custa mais de R$ 10.000(Só Pc novo que comprei po 3.000 tem video integrado - sem placa de video). Pensando de forma útil, só valeria a pena se eu já tivesse algo rentável de base — não só doações. Não para pesquisas que precisam de tempo e atenção como estas.

É isso.


Se você leu até aqui: obrigado. Se você é alguém que também constrói coisas estranhas e bonitas sozinho, no seu canto, com medo de que não sejam "boas o suficiente" — este texto é para você também. Às vezes o valor não está no projeto que funciona 100%, mas na Quimera que a gente teve coragem de montar.

— MrJ / CromIA

Fim da Transmissão

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