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🤔O Teatro das Entidades Fantasmas- Para onde foram os bilionários em 2019-2023 ? - Pandemia sócio-cancerígena

A pandemia de 2020 não foi apenas um evento biológico; foi um grande "glitch" na Matrix. Enquanto a narrativa oficial pregava que "estamos todos no mesmo barco", a realidade geográfica e econômica gritava o oposto. O barco de alguns era um superiate com sistema de filtragem de ar hospitalar, enquanto a maioria se agarrava a destroços tentando não afundar.

Por um Cego da Realidade

A pandemia de 2020 não foi apenas um evento biológico; foi um grande "glitch" na Matrix. Enquanto a narrativa oficial pregava que "estamos todos no mesmo barco", a realidade geográfica e econômica gritava o oposto. O barco de alguns era um superiate com sistema de filtragem de ar hospitalar, enquanto a maioria se agarrava a destroços tentando não afundar.

Mas olhar para onde os bilionários foram é apenas a superfície. A verdadeira questão — a mais incômoda e profunda — é o que esse movimento revela sobre a fragilidade das nossas crenças coletivas. O êxodo da elite expôs a nudez do rei: as instituições, as corporações e os governos que veneramos não passavam de fantasmas de papel que, diante da morte biológica, perderam sua utilidade. Quero fazer uma autópsia de um sistema que apodrece porque se recusa a morrer, e sobre a necessidade urgente de encararmos o colapso não como um fim, mas como o único caminho para voltar sermos livres de verdade.


Deuses de Papel

Quando a quarentena foi decretada, o mundo assistiu a uma cisão física imediata. A densidade demográfica, antes vista como o motor da civilização urbana e do progresso, tornou-se subitamente um vetor de morte. Nesse momento, o capital — que nos últimos séculos se tornou uma abstração digital — precisou se converter urgentemente em algo tangível: terra, isolamento e concreto.

Os destinos escolhidos pela elite global não foram aleatórios; eles desenharam um novo mapa de privilégio, pautado na distância e na autossuficiência.

Geografia do Medo Há anos, o Vale do Silício sussurrava sobre a Nova Zelândia como o "bunker do Juízo Final". Quando o vírus se espalhou, o que era teoria da conspiração se tornou itinerário de voo. Executivos de tecnologia e magnatas, como Peter Thiel (cofundador do PayPal), ativaram suas rotas de fuga. A ilha de Waiheke, conhecida como "os Hamptons da Nova Zelândia", viu suas mansões serem ocupadas por proprietários que, até então, eram apenas nomes em escrituras. Eles buscavam a Nova Zelândia não pelas paisagens de "O Senhor dos Anéis", mas pela combinação de isolamento geográfico e um governo funcional — uma apólice de seguro contra o caos social que poderia (e iria) eclodir nos EUA e na Europa.

Ilhas-Fortaleza e os Superiates Para aqueles que não queriam lidar com fronteiras nacionais, o mar ofereceu a solução da soberania móvel. O magnata da mídia David Geffen tornou-se o símbolo da surdez social ao postar, do convés do seu iate Rising Sun (avaliado em 590 milhões de dólares) nas Granadinas: "Isolado nas Granadinas evitando o vírus. Espero que todos estejam seguros".

Enquanto populações inteiras eram confinadas em apartamentos de 40 metros quadrados, iates se transformaram em cidades-estado flutuantes, com tripulações testadas, hospitais a bordo e estoques para meses. No Caribe e em Fiji, ilhas particulares deixaram de ser ativos imobiliários de lazer para se tornarem zonas de exclusão biológica.

Isolamento Feudal No Brasil, a dinâmica replicou o modelo global com um toque neofeudal. A elite, que ironicamente trouxe o vírus em suas viagens à Europa, retirou-se para condomínios-fazenda no interior de São Paulo (como a Fazenda Boa Vista) ou para ilhas em Angra dos Reis. O litoral e o campo tornaram-se refúgios fortificados.

O saldo desse isolamento foi brutalmente quantificável. Segundo a Oxfam, enquanto o mundo parava e a economia real sangrava, a riqueza dos bilionários explodiu. Eles não apenas se protegeram; eles lucraram com a volatilidade. O sistema financeiro, descolado da realidade da fome e do desemprego, bombeou trilhões para o topo da pirâmide. A recuperação econômica seguiu o formato de "K": uma linha ascendente vertiginosa para quem tinha ativos, e uma queda livre para quem dependia do trabalho.


A Elite de Execução é uma Lógica do Vazio

Se os bilionários são os donos no papel, quem realmente operou a máquina durante o caos? Aqui entramos em uma camada social frequentemente ignorada, mas crucial para entender por que o sistema funciona da maneira que funciona: a Elite de Execução.

Este grupo — composto por CEOs, gestores de fundos, consultores de alto nível e diretores de operações — é o meio operativo e administrativo do sistema. Eles são pessoas altamente competentes, educadas nas melhores universidades, mas que operam sob uma cegueira técnica perigosa. Eles não são necessariamente sádicos; eles são eficientes. E, no capitalismo moderno, a eficiência é amoral.

A Alavanca da Escassez (Greedflation) Durante a pandemia, vimos um fenômeno que economistas agora chamam de Greedflation (inflação por ganância). A narrativa era perfeita: "As cadeias de suprimentos estão quebradas, precisamos aumentar os preços".

No entanto, a Elite de Execução viu na escassez uma oportunidade de ouro. Dados corporativos mostram que muitas empresas aumentaram seus preços muito além do necessário para cobrir os custos extras. Elas usaram a "crise" como cobertura para expandir margens de lucro a níveis recordes.

Para o gestor que toma essa decisão, ele não está "fomeando a população"; ele está "protegendo o estoque" e "maximizando o retorno para o acionista". Ele segue cegamente a realidade da planilha de Excel, onde o aumento do preço do arroz é apenas um ajuste de variável, não um prato vazio na mesa de uma família. Essa competência técnica, desprovida de contato com a realidade material humana, é o que permite que o sistema seja cruel sem que ninguém se sinta, individualmente, um vilão. Eles estão apenas "fazendo o seu trabalho alemão".


Desconstruindo os Fantasmas da Realidade Intersubjetiva

Por que aceitamos isso? Por que milhões de pessoas obedecem a decisões tomadas por um punhado de indivíduos isolados em bunkers ou escritórios de vidro?

A resposta reside na natureza da nossa civilização. Como gosto bem de constatatar: não existe governo, não existe empresa, não existe entidade.

Tudo o que existe são pessoas.

Só existe pessoas, pessoas que contam historia sobre outrem, são pessoas que criam o que não existe e faz do nada algo palpavel, e são pessoas que esquecem que está no controle é uma questão de uma escolha frequente.

A Ficção Útil Yuval Noah Harari chama isso de "Realidade Intersubjetiva". A Peugeot, os Estados Unidos, o Dólar e os Direitos Humanos não existem no mundo físico. Você não pode tropeçar em uma nação ou cortar um pedaço de uma corporação. Elas são histórias — ficções jurídicas — que criamos para cooperar em massa.

O problema surge quando esquecemos que fomos nós que escrevemos a história. Começamos a tratar essas entidades como deuses reais, com vontades próprias. Dizemos "O Mercado está nervoso" ou "A Empresa decidiu demitir", como se "O Mercado" e "A Empresa" fossem seres sencientes que desceram dos céus.

O Escudo da Marca Essa fé cega na entidade serve a um propósito psicológico sombrio: ela dilui a responsabilidade. Quando um executivo (a Elite de Execução) ordena o despejo de resíduos em um rio ou o aumento abusivo de preços, ele diz: "Foi uma decisão corporativa". A entidade "Corporação" serve como um escudo moral. Ela absorve a culpa.

Mas a quarentena rasgou esse véu. Quando o vírus chegou, o "Dólar" não podia respirar por você. A "Marca" não podia impedir a infecção. Os bilionários correram para os bunkers porque, no fundo, eles sabem a verdade melhor do que ninguém: as entidades são fantasmas. E fantasmas não protegem contra a biologia. Na hora do aperto, só o concreto (realidade física) e o distanciamento (realidade biológica) importam. Todo o resto é teatro.


O Apodrecimento da Normalidade e a Sua Estagnação Zumbi

Se as entidades são falsas e o sistema é manipulado por uma elite desconectada, por que não mudamos? Por que insistimos em voltar ao "normal"?

Aqui chegamos ao ponto nevrálgico: estamos apodrecendo porque nos recusamos a morrer.

Vivemos em um estado de "Zumbificação Institucional". Temos bancos que são "grandes demais para falir", governos que operam com lógicas do século XIX para problemas do século XXI, e modelos de trabalho que drenam a alma humana sem produzir valor real.

O Medo do Vazio Manter esse cadáver do "sistema antigo" em pé custa caro. Custa nossa saúde mental, custa os recursos do planeta e custa a nossa dignidade. Mas a alternativa — o colapso dessas ficções — aterroriza a maioria.

O ser humano tem horror ao vácuo. Preferimos a tirania de uma história conhecida (mesmo que seja uma história de exploração e desigualdade) ao caos de não ter história nenhuma. A "fé cega" na marca ou no partido político é, na verdade, um mecanismo de defesa contra a responsabilidade absoluta de ter que inventar uma nova realidade.

Estamos estagnados. A desigualdade extrema, a destruição ambiental e a crise de sentido são os odores da putrefação. Estamos tentando embalsamar um sistema que já morreu, aplicando maquiagem (marketing, ESG, discursos vazios) em um corpo que precisa ser enterrado para que os nutrientes voltem à terra.


Morrer para Nascer - Colapso Evolutivo

>"Precisamos colapsar para evoluir, ou iremos estagnar e apodrecer sem morrer. Necessitamos morrer para nascer e esta é a verdade biológica e histórica definitiva para humanidade.

Na natureza, não existe crescimento infinito sem morte. A floresta precisa do incêndio ocasional para limpar o subosque e permitir que sementes adormecidas germinem. As células velhas precisam morrer (apoptose) para que o organismo não desenvolva câncer.

Nossa sociedade tornou-se cancerígena porque bloqueamos o processo de morte das instituições obsoletas.

O Que Significa "Morrer"? Não estamos falando necessariamente de guerra civil ou apocalipse estilo Mad Max — isso é falta de imaginação. O "morrer" que precisamos é o colapso da crença.

É o momento em que olhamos para a "Corporação" e vemos apenas um prédio cheio de pessoas confusas. É o momento em que olhamos para o dinheiro e vemos apenas papel colorido ou bits em um servidor, sem valor intrínseco se não houver confiança humana por trás.

A elite sabe que o controle é uma questão de escolha frequente. Eles escolhem, todos os dias, perpetuar a história que os beneficia. A "revolução" necessária não é tomar o Palácio de Inverno; é parar de acreditar nos fantasmas que habitam lá.


O Novo Humano

Os bilionários fugiram para seus bunkers porque sabiam que, quando a música para, as cadeiras (as ficções institucionais) desaparecem. Eles apostaram na realidade física para se salvar.

Nós, que ficamos do lado de fora, temos uma lição dura a aprender. Continuamos sustentando o teatro. Continuamos brigando por marcas, por partidos e por ideologias que são, em última análise, construções imaginárias desenhadas para nos manter operantes dentro de uma lógica que não nos serve.

A evolução exige coragem para encarar o vazio. Se quisermos parar de apodrecer, precisamos deixar as velhas estruturas colapsarem. Precisamos retirar nossa fé das "Entidades" e devolvê-la às "Pessoas".

O renascimento só virá quando lembrarmos que o roteiro da sociedade não foi escrito por deuses, mas por homens e mulheres que, muitas vezes, eram menos competentes e mais medrosos do que nós. Estar no controle é uma escolha diária. A quarentena nos mostrou que o rei está nu. A pergunta que resta é: até quando vamos continuar fingindo que enxergamos suas roupas?

Precisamos morrer como "funcionários", "consumidores" e "seguidores" para que possamos, finalmente, nascer como humanos livres de verdade.

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